quinta-feira, 20 de agosto de 2009

ORIENTAÇÃO ESPACIAL


Orientar-se no espaço, em direção, localização e tempo. Identificar e efetuar movimentos em diferentes velocidades e trajetórias.




Todas as percepções referem-se a noções espaciais. Orientar-se no espaço, significa ver-se e ver as coisas no espaço em relação a si próprio. É dirigir-se, avaliar os movimentos e adaptá-los no espaço. É principalmente estabilizar o espaço vivido e assim situar-se e agir correspondentemente.

Entende-se por Orientação Espacial a capacidade que o indivíduo tem de situar-se e orientar-se, em relação aos objetos, as pessoas e o seu próprio corpo em um determinado espaço. É saber localizar o que está à direita ou à esquerda; à frente ou atrás; acima ou abaixo de si, ou ainda, um objeto em relação a outro. É ter noção de longe, perto, alto, baixo, longo, curto.

Portanto, para aquisição da habilidade de leitura e escrita, a criança deverá ter essas noções interiorizadas a fim de que possa perceber a seqüência das letras, uma após a outra, o ritmo melódico e harmonioso da linguagem, o ritmo das letras, ora subindo, ora descendo, ora grandes e ora pequenas.

Qual a sua importância no desenvolvimento da aprendizagem? Desde o nascimento, o indivíduo começa a se relacionar com o espaço. Isso se estabelece em função de estímulos exteroceptivos, àqueles vindos do meio onde a criança está inserida. LE BOULCH (1984), afirma que “o espaço é o primeiro lugar ocupado pelo corpo e no qual se desenvolvem os movimentos corporais. Este espaço vivido com limites suaves é objeto de uma experiência emocional intensa...” E estes movimentos corporais têm origem em diversos aspectos, entre eles os sociais e os neurológicos, que são de grande importância.


Com a necessidade de se locomover, passa a dimensionar algumas noções de espaço. Importante que a criança vivencie o engatinhar, tocando objetos, pois fortalecerá seus músculos. As noções de contraste de acima e abaixo, entre outras, passam a ser vivenciadas com o corpo de maneira espontânea na sua exploração do meio. Ao abaixar-se para pegar um objeto embaixo de uma cadeira, ou mudar de direção para apanhar outro que está às suas costas, estes contrastes vão se internalizando.


A criança vai progredindo e ampliando sua noção espacial, passando do engatinhar para a posição bi pedal, que é o andar, avançando cada vez mais na exploração do meio. Ao transpor um obstáculo encontrado, expressa seu gesto mais espontâneo com a elevação do pé. Iniciam-se neste instante, as noções de orientação espacial que vão se organizando como expressões de inteligência. A noção espacial se estrutura e se orienta através de atividades de exploração e imitação, que se processam a partir da construção do esquema corporal. E as experiências vividas incorporam na criança os dados necessários à percepção do tempo e do espaço, no domínio das relações espaciais.


Verifica-se o quanto é importante vivenciar o corpo desde o nascimento e relacionar as diferentes partes do corpo: adiante, atrás, ao lado, acima, abaixo, entre, etc. e a função simbólica que se tem para toda a vida. Estes conceitos e contrastes espaciais, vivenciados corporalmente e verbalizados pela criança antes, mas principalmente no período pré-escolar, vai se interiorizado e constituindo referências para a aprendizagem posterior no plano psicomotor e cognitivo.


Essas noções são fundamentais para a estruturação do corpo, do espaço e do tempo e por isso essencial também para as aprendizagens da leitura e da escrita. Os profissionais da Educação Infantil podem contribuir com sua experiência e olhar cuidadoso às crianças, no início do processo de alfabetização, em relação à compreensão e internalização da Orientação Espacial, um conteúdo de todas às áreas.


Como ele pode ser trabalhado no contexto escolar?


ü Uma das atividades dirigidas de maior sucesso são os jogos de roda, onde os alunos ficam sentados em roda e passando ou jogando a bola uns aos outros;


ü Andar equilibrando um livro na cabeça ou segurando um copo cheio de água ou uma colher contendo líquido;


ü Pular imitando animais;


ü Fazer gestos com as mãos acompanhando músicas infantis;


ü Abotoar e desabotoar peças do vestuário;


ü Falar um órgão da face e pedir aos alunos que o mostrem e digam qual sua função;


ü Realizar atividades com material concreto, em que as crianças possam identificar e mostrar em que parte do corpo são usados determinados objetos. Como por exemplo: boné, brinco, óculos, batom, pulseira, anel, luvas, meias etc;


ü Solicitar a um aluno que se deite sobre um papel maior que o corpo (papel de embrulho). Pedir ao outro aluno que trace o contorno da silhueta da criança que está deitada, desenhando a figura humana. Todos os alunos devem participar da atividade colocando os detalhes na silhueta, (olhos, boca, nariz, etc.).



Bibliografia:


ü http://www.educacional.com.br/projetos/edinf/esporte/conteudo_orientacao.asp

ü http://www.boechat.g12.br/index.php?link=educacao_infantil

ü http://ideiasepraticas.blogspot.com/2008/10/sugestes-para-trabalhar-linguagem-na.html

ü http://www.sinpropar.org.br/?action=read&eid=142&id=690&system=news



APRENDIZAGEM DA CRIANÇA DE 0 A 6 ANOS, SEGUNDO...



* Vygotsky



Segundo Vygotsky, no processo de desenvolvimento, a criança começa usando as mesmas formas de comportamento que outras pessoas inicialmente usaram em relação a ela. Isto ocorre porque, desde os primeiros dias de vida, as atividades da criança adquirem um significado próprio num sistema de comportamento social, refratadas através de seu ambiente humano, que a auxilia a atender seus objetivos, isso vai envolver, criar condições para facilitar a comunicação oral, ou seja, a fala, dentro ou fora do ambiente escolar



* Jean Piaget



Em seus estudos sobre crianças, Jean Piaget descobriu que elas não raciocinam como os adultos. Esta descoberta levou Piaget a recomendar aos adultos que adotassem uma abordagem educacional diferente ao lidar com crianças. Ele modificou a teoria pedagógica tradicional que, até então, afirmava que a mente de uma criança é vazia, esperando ser preenchida por conhecimento. Na visão de Piaget, as crianças são as próprias construtoras ativas do conhecimento, constantemente criando e testando suas teorias sobre o mundo. Ele forneceu uma percepção sobre as crianças que serve como base de muitas linhas educacionais atuais. De fato, suas contribuições para as áreas da Psicologia e Pedagogia são imensuráveis.



* Emilia Ferreira


Emilia Ferreira Constatou que a criança aprende segundo sua própria lógica e segue essa lógica até mesmo quando ela se choca com a lógica do método de alfabetização. Em resumo, as crianças não aprendem do jeito que são ensinadas. A teoria de Emilia abriu aos educadores a base científica para a formulação de novas propostas pedagógicas de alfabetização sob medida para a lógica infantil.



* Winnicott


É por meio do contato com a mãe, do ‘’olhar no olho’’ no qual a criança desenvolve a concentração, é pelo toque e brincadeiras que ela mapeia e reconhece o mundo externo, vai formando seu esquema corporal e também desenvolvendo noções espaciais, localizando-se no tempo e espaço, reconhecendo limites e ultrapassando obstáculos, encontrando sua posição ‘’ser’’ no mundo. Pelo contato com a ‘’mãe suficientemente boa’’ como diz Winnicott (1981), que a criança consegue interpretar e responder adequadamente as necessidades e emoções, segue formando o seu ego e auto-reconhecendo-se - percebendo-se como sujeito no mundo - tornando-se capaz de identificar e expressar corretamente seus sentimentos.

O Desafio de Saber Ensinar.

MOYSÉS, Lucia Maria. O Desafio de Saber Ensinar. Campinas – SP, Editora Papirus, 1994.

De acordo com o autor, o professor deve se relacionar com seus alunos de forma harmoniosa, incentivar ao aluno a ter uma partição em aula, trazendo para dentro da sala, propostas pedagógicas que acompanhe a vivencia dos alunos, aquilo que os alunos vivem no seu dia a dia, isso torna as aulas mais interessante e objetiva, mais na pratica não e bem assim, precisamos estar atento, os alunos podem estar vivendo momentos diferentes, o certo e ter um bom relacionamento individual com cada aluno, conhecendo cada limitação.

No momento em que esta sendo feito um plano de aula, não podemos pensar em um determinado tipo de aluno, temos que entender que uma sala de aula, existe diferentes tipos de cultura, religiosidade, raça, etc.

A autora e muito feliz quando trata de uma questão referente à teoria e a pratica, e muito bonito dominar a oratória, mais se não colocarmos a teoria junto com a pratica, de nada adianta o esforço, professores comprometidos é aquele que interage, que cria mecanismos diferentes, como por exemplo, uma aula fora do ambiente da sala.

O importante é o planejamento da aula, mais temos que ficar atendo com imprevistos, nunca e bom seguir a risca o que se prepara, e bom deixar as coisas ir acontecendo de forma natural, outra informação importante, professores devem ser flexíveis, não podemos esquecer, cada realidade é uma realidade, com certeza seguindo esses passos a aula vai ser nota dez.

Cultura: Um conceito Antropológico






LARAIA, Roque de Barros, Cultura: um conceito antropológico, 21ª Edição, 2007, Editora ZAHAR, Rio de janeiro.





O Conceito antropológico de Cultura passa pela a grande diversidade cultural da humanidade, pelas as diferenças de como se organiza em sociedade, como se vestem, se alimentam, o respeito entre homens e mulheres. Há vários anos, e comum a tentativa de explicar as diferenças entre os homens, a partir dos diferentes tipos de lugares e pelos conceitos biológicos, e logo percebeu que não iria chegar a nenhuma conclusão, pois o comportamento dos indivíduos depende de um aprendizado chamado de endoculturação, ou seja, um homem e uma mulher agem diferentemente não em função de seus hormônios, mas em decorrência de uma educação diferenciada. No entanto não pode ser explicada as diferenças entre homens e mulheres através de suas leis impostas pelo biológico ou pelo meio em que vivem. Apesar da dificuldade que os antropólogos enfrentam para definir a cultura, não se discute a sua realidade. A cultura se desenvolveu a partir da possibilidade da comunicação oral, capazes de tornar mais eficiente o seu aparato biológico. Isto significa afirmar que tudo o que o homem faz, aprendeu com os seus semelhantes.



Embora nenhum indivíduo conheça totalmente o seu sistema cultural, é necessário conhecer para manter relações com outras pessoas. Conhecimento este que deve ser compartilhado por todos os componentes da sociedade de forma a permitir a convivência dos mesmos.



Enfim, todas as sociedades do mundo, tem a sua maneira de agir, isso constitui em um rico mundo, onde se encontra varias diversidades culturais, algumas estranhas, mais sempre mantendo a identidade própria.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Métodos Ecléticos de Alfabetização


Historicamente os métodos de alfabetização agrupam-se em métodos sintéticos e analíticos, enquanto o método sintético parte da síntese, ou seja, apresentando as crianças as letras, os sons e as silabas para que seja combinados, o método analítico parte de unidades maiores, como palavras, sem decompô-las, assim quando a criança conhece determinada palavras, e proposto que compunham determinado texto, logo após parte para a sentenciação, formam-se determinadas orações, depois de exposta, essa vai ser decomposta em palavras, depois em sílabas, e por ultimo o conto, a idéia fundamental aqui é fazer com que a criança entenda que ler é descobrir o que está escrito. A principal característica que diferencia o método sintético do analítico é o ponto de partida. Enquanto o primeiro parte do menor componente para o maior, o segundo parte de um dado maior para unidades menores.
O metodo sintetico resalta que a aquisição da linguagem é um processo mecânico, ou seja, a criança será sempre estimulada a repetir os sons que absorve do ambiente. Assim, a linguagem seria a formação do hábito de imitar um modelo sonoro. Os usos e funções da linguagem, neste caso, são descartados por se tratarem de elementos não observáveis pelos métodos utilizados por essa teoria, dando-se importância à forma e não ao significado. No tocante à aquisição da linguagem escrita, a fônica é o intuito de fazer com que a criança internalize padrões regulares de correspondência entre som e soletração, por meio da leitura de palavras, justificando o método analítico, vamos utilizar-se de uma metáfora, dizendo que, quando se apresenta um casaco a uma criança, mostra-se ele todo, e não a gola, depois os bolsos, os botões etc. Pois é dessa forma que uma criança aprende a falar, portanto deve ser da mesma forma que deve aprender a ler e escrever, partindo do todo, decompondo-o, mais tarde, em porções menores. É imprescindível ressaltar a importância que a criança tem de ler e não decifrar o que está escrito, isso quer dizer que ela tem a necessidade de encontrar um significado afetivo e efetivo nas palavras.
Para se alfabetizar pelo método eclético, o material de alfabetização deve promover a apredizagem de leitura e da escrita, outra caracteristica e que a cartilha ou pré livro apresente textos significativos e histórias que relatam fatos completos, isso se da, porque os textos das cartilhas/pré livros adotadas nas escolas brasileiras, orientam-se por uma ideologia conservadora e não direcionada para o desenvolvimento da criatividade. Pautam-se pela filosofia da gramática tradicional articulada ao ensino tradicional da escola brasileira. Excluindo-se alguns textos de manuais que aparentemente tentam avançar em busca da criatividade, ainda vivem cerceadas pelos limites do regime político e consequentemente, da pesquisa na área educacional.
Necessário considerar os sistemas ortográficos e fonológicos em nossa língua e todas elas devem ser levadas em conta no material de alfabetização, importante lembrar que o material de alfabetização deve ser organizado, tal aprendizagem precisa ser facilitada pela a apresentação de textos ordenados em escala de dificuldades crescentes.
Atividades de alfabetização, não há atividades fixas, mas proponho que comece com livros de literatura. Alguns deles oferecem jogos com rimas, importantes no processo de aquisição da leitura e da escrita. Com elas, a criança percebe a regularidade da escrita em relação a alguns sons. Na atividade de troca de letras, as crianças podem aprender brincando. O professor sugere palavras que, trocadas as letras, formam outras. Aproveite a oportunidade para, durante a troca de letras, pesquisar o significado das palavras. Ao mudar de letra, a palavra também muda de sentido. Exemplo: uva, bola, bula, Eva, bela, bule, etc.
Em resumo, o método Eclético, foi considerado a grande descoberta no campo metodológico, utiliza análise e síntese, ao contrário dos outros que são analítico ou sintético, o método é considerado global, porque parte de um todo, mas segue os passos do método sintético: som, sílabas, palavras, frases.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

GESTÃO DEMOCRÁTICA DA ESCOLA PÚBLICA E O PROJETO PEDAGÓGICO



*Frank Boniek Coelho




O que presenciamos na atualidade, a emergência de um mundo que se edifica, Alguns questionamentos são apontados como propulsores dessas novas bases: o avanço e a produção de novas tecnologias; o advento da globalização da economia e das comunicações; o fortalecimento de moedas internacionais; a efetivação de uma sociedade do conhecimento e da informação; o investimento na qualidade da educação escolar e na formação do homem, transformando-se em prioridades nacionais/mundiais, cada vez mais valorizadas pelo discurso oficial com o intuito, segundo esses, de efetivar um projeto de retomada da estabilidade econômica. Esta lógica gera expectativas em vários segmentos da sociedade pelas quais passam a exigir reformas no sistema de ensino, que por sua vez, impõem novos horizontes para os sistemas de formação de professores, isto porque o trabalhador do século XXI necessita ser formado para atender a exigência desta “nova” escola. Assim, se a sociedade capitalista tenta definir e ajustar com precisão quais conhecimentos, saberes, informações, habilidades e competências os trabalhadores deste século devem ser portadores para se inserirem no mundo do trabalho, cabe-nos perguntar, então, em que medida este ajuste tem afetado as escolas e as políticas públicas educacionais no Brasil?
A LDB, em seus artigos 14 e 15, apresenta as seguintes determinações:
Art. 14 – Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I. participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;
II. participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes. (...)
Art. 15 – Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas de direito financeiro público.
Cabe aqui, nesta regulamentação o princípio da autonomia delegada, pois esta lei decreta a gestão democrática com seus princípios vagos, no sentido de que não estabelece diretrizes bem definidas para delinear a gestão democrática, apenas aponta o lógico, a participação de todos os envolvidos. Nesse ínterim, o caráter deliberativo da autonomia assume uma posição ainda articulada com o Estado.
Também se apresenta como fator à acomodação na autonomia delegada, “os limites e condicionantes históricos” produzidos na escola brasileira, que vem colocando o ensino como processo reprodutor de um saber parcelado que muito tem refletido nas relações de trabalho e na predominância da desvinculação do conhecimento do projeto global da educação e da sociedade. O professor dono dos saberes, o aluno receptivo ou objeto, as relações de poder estabelecidas, isso sem falar na homogeneidade enraizada nas práticas pedagógicas oculta pelo ideário dominante.
Cabe salientar que ao longo da história a escola, é possível compreender os processos das reformas, que em sua maioria, trazem implícito a característica de adaptar as mudanças que surgem na sociedade e naturalizar outras formas de poder e de racionalização técnica. Afinal, compreendê-la como fenômeno histórico requer descobrir como se fundaram as bases da atual estrutura, as ações regulamentadas politicamente, os limites definidos e as “verdades” nela tidas como determinantes.
Desse modo, torna-se impossível pensar em debater sobre qualquer estrutura educativa sem antes não contextualizá-la no seu aspecto histórico e social, pois o processo de análise passa necessariamente pela maneira de como o homem em um dado contexto analisa sua realidade, seu mundo percebendo-se um ser produtor no seu tempo e no seu espaço, um transformador objetivo da sua realidade que racionalmente analisa, modifica.
Os aspectos levantados são obstáculos reais ao processo de construção da "consciência crítica" (no sentido de Paulo Freire, consciência não-dogmática, efetivamente política), e sem ela as mudanças acontecem apenas num processo "de cima para baixo", anulando-se a essência da autonomia.
Dessa forma, nota-se que nesse modelo organizacional da gestão democrática escolar, ainda é possível perceber o distanciamento entre o pedagógico e o administrativo, sobretudo no que concerne à coordenação de um projeto pedagógico integrado.
Assim, de nada adianta uma Lei de Gestão Democrática do Ensino Público que "concede autonomia" pedagógica, administrativa e financeira às escolas, se diretor, professores, alunos e demais atores do processo desconhecem o significado político da autonomia, a qual não é dádiva, mas sim uma construção contínua, individual e coletiva.
FREIRE (2001) cita: “... O mundo não é. O mundo está sendo. (...) Não sou apenas objeto da História, mas seu sujeito igualmente. (...) caminho para a inserção, que implica decisão, escolha, intervenção na realidade...”, portanto, ele retrata a razão emancipatória que possibilita a visão da totalidade.
Dessa maneira, o projeto pedagógico na autonomia construída deve permitir aos professores, alunos, coordenadores e diretores estabelecerem uma comunicação dialógica, para propiciar a criação de estruturas metodológicas mais flexíveis para reinventar sempre que for preciso. A confirmação desse contexto só poderá ser dada numa escola autônoma, onde as relações pedagógicas são humanizadas.
Faz-se necessário romper com as tendências fragmentadas e desarticuladas do modo de conceber o projeto para re-significar as suas práticas, para criar a identidade de cada escola particularmente. Tendo como ponto de partida, o planejamento.
E os professores devem reconhecer a importância de romper com as posições pedagógicas cartesianas para fazerem dialeticamente a relação necessária entre as disciplinas que compõem o currículo escolar e a realidade concreta da vivência do aluno, a partir da visão interdisciplinar do conhecimento, daí a importância do ato reflexivo no dinamismo da prática pedagógica através da reflexão conjunta do projeto educativo, em oposição à racionalidade técnica.
O desafio de um novo projeto pedagógico não deve levar em conta o consenso como ponto de partida, mas o conflito que favorece a diversidade numa trajetória construída coletivamente na tomada de decisões.
Neste contexto, os profissionais da educação são desafiados constantemente pelo desconhecido, e a renovação de suas práticas educacionais torna-se uma questão de sobrevivência da escola. Porém esta renovação é complexa, primeiro porque perpassa todos os aspectos da prática pedagógica; segundo, porque exige abertura dos envolvidos no processo com a vontade política de mudar; e terceiro, porque os meios para concretizar as aspirações devem estar em consonância com o contexto histórico concreto.
Isso será possível pela compreensão da concepção crítico-reflexiva como pressuposto da autonomia a ser construída coletivamente e articulada com o universo “mais amplo” da escola. Como defende CORTELLA (2002), “um amanhã sobre o qual não possuímos certezas, mas que sabemos possibilidade”.

*Frank Boniek Coelho, graduando em Pedagogia pela UEG – Universidade Estadual de Goiás. Contato: frankcoelho@ueg.br / frankboniek.blogspot.com

Bibliografia
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, 20 dez. 1996.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e terra
PARO, Vitor Henrique. Gestão democrática da escola pública. São Paulo: Ática, 1997.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Hary Wallon e a Psicomotricidade:

Em 1925, Henry Wallon, médico psicólogo, começou a relacionar a motricidade com a emoção, explicando que chamou de “diálogo tônico-emocional”. E com essa teoria, temos o fim do dualismo cartesiano que separa o corpo do desenvolvimento intelectual e emocional do indivíduo, ocupa-se do movimento humano dando-lhe uma categoria fundante como instrumento na construção do psiquismo. Esta diferença permite a Wallon relacionar o movimento ao afeto, à emoção, ao meio ambiente e aos hábitos do indivíduo. É possível, através de uma ação educativa, de movimentos espontâneos e atitudes corporais, favorecer a gênese da imagem do corpo, núcleo central da personalidade, os principais objetivos da educação psicomotora, assegura o desenvolvimento funcional tendo em conta possibilidades da criança; ajudar a afetividade a expandir-se e a equilibrar-se através do intercâmbio com o ambiente humano; englobar diversas atividades oferecidas às crianças de forma seqüencial observando a etapa de desenvolvimento em que elas se encontram.
A estimulação Psicomotora Precoce, educação e prevenção de distúrbios, interferindo e estimulando os vários níveis de expressão corporal encontrados no bebê.
A principal Estratégia da Psicomotricidade, se relaciona, ao ato de brincar, desenvolve habilidades de forma natural e agradável, proporciona a aquisição de novos conhecimentos, é estimulante e desenvolve a parte motora, social, emocional e cognitiva. Incluem jogos, brincadeiras é o "brinquedo" propriamente dito. Podem-se distinguir dois tipos de intervenção em psicomotricidade: a terapêutica e a educativa. No primeiro âmbito, encontram-se a reeducação psicomotora, a terapia psicomotora e a clínica psicomotora. No segundo, fala-se em educação psicomotora, a qual tem um caráter eminentemente preventivo, facilitador do desenvolvimento do sujeito, em geral, aplicada às crianças em situação escolar. Busca trabalhar a criança e o grupo em movimento; através da ação espontânea ou organizada a priori. Beneficia-se a integração de si em relação com o outro e ao meio em geral. A Educação Psicomotora, conforme o exposto é compatível com a teoria psicogenética de Wallon, na medida em que respeita a complexidade do ser humano, compreendendo-o em sua multidimensionalidade psíquica, corporal e social, propondo-se a superar as dicotomias corpo-mente, indivíduo-sociedade e razão-emoção, heranças da visão cartesiana de homem que perpassa diversas reflexões ocidentais. A primeira função do movimento, apontada por Wallon em sua psicogenética no estágio tônico-emocional é a de promotora do vínculo social. O autor vê na agitação e choro do bebê um recurso que mobiliza o adulto emocionalmente a fim de que as necessidades da criança sejam seguramente atendidas. Este é um mecanismo bem primitivo do neonato, que dada à imperícia inicial de sua motricidade, apela ao outro para garantir o elo e os cuidados necessários à sua sobrevivência. É no contato mãe-bebê que se instala o diálogo tônico-corporal.
Embora possamos falar e identificar momentos de motricidade de relação pura como é o caso da relação mãe-bebê, ou de enamorados. E, embora possamos falar e identificar momentos de motricidade de realização pura, como quando utilizamos corretamente um talher para nos alimentar; em geral, encontramos um misto destas. Assim, podemos formular que há um diálogo possível entre motricidade de relação e de realização, do mesmo modo que ocorre interação entre afetividade e inteligência ou cognição.
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REFERÊNCIA:


DANTAS, P. Para conhecer Wallon: uma psicologia dialética. São Paulo: Brasiliense, 1983.

NASCIMENTO, L.; MACHADO, M. T. Psicomotricidade e aprendizagem. Rio de Janeiro: Enelivros, 1986

http://pt.wikipedia.org/wiki/Henri_Paul_Hyacinthe_Wallon

http://www.psicomotricidade.com.br